22/7/2010
Chuva, geada e frio não prejudicam lavouras de trigo
Matéria veiculada no Jornal Diário da Manhã de Passo Fundo, no dia 21 de julho de 2010.
Rosa Liberman
rosa@diariodamanha.net
Aspecto fitossanitário das áreas destinadas ao cereal na região é considerado bom, sem possibilidade de prejuízos
Ao contrário da produção de hortaliças e frutas, o clima não tem prejudicado a cultura do trigo na região, mesmo com o excesso de umidade, temperaturas baixas e ocorrência de geadas. O aspecto fitossanitário das plantas é considerado bom, sem a presença de pragas ou doenças de forma significativa na área destinada ao cereal no Estado, que é de aproximadamente 900 mil hectares. Para a germinação do trigo, a umidade do solo é benéfica, assim como para o desenvolvimento vegetal.

Pesquisador da Embrapa Trigo, Eduardo Caierão
O pesquisador da Embrapa Trigo, na área de Melhoramento Vegetal, Eduardo Caierão, diz que como o cereal é uma cultura de inverno, o frio e geadas só favorecem neste momento. O que não pode ocorrer, são geadas em setembro, quando o trigo está em fase de espigamento e os danos são irreversíveis. "Agora, no desenvolvimento vegetativo, na maioria das vezes não tem danos à cultura do trigo em termos de potencial produtivo. Em algumas situações, dependendo da cultivar, se for mais suscetível, pode haver queima de folha, mas a planta tem a capacidade de reagir e retomar seu desenvolvimento normal. Mas se as geadas ocorrerem entre o final de agosto e setembro, os problemas são mais sérios", comenta.
Já em relação à intensidade das chuvas, Caierão explica que depende do manejo das lavouras. Se o agricultor utiliza o sistema plantio direto há algum tempo, o solo tem boa capacidade de estruturação física, e assim, uma quantidade de chuva intensa não traz prejuízos, porque a água tem infiltração. Já se o solo não tiver bom manejo e a semeadura é recente, chuva intensa pode provocar perda de sementes ou lixiviação do solo.
Pragas e doenças
Quanto às doenças, elas são influenciadas por alguns fatores, sendo um deles a presença do patógeno na lavoura e as condições climáticas favoráveis, além da planta suscetível. O pesquisador destaca que apesar da umidade relativa do ar, o frio intenso dificulta o desenvolvimento das doenças. "De certa forma, algumas situações podem ocorrer, e o fato direto da intensidade de chuva pode interferir no processo de que o produtor não consiga entrar na lavoura para efetuar o tratamento", diz. Situação contrária seria se aliada à umidade relativa do ar estivesse predominando temperatura mais elevada. Neste caso, a preocupação com a sanidade da planta seria maior.

Trigo ocupa cerca de 900 mil hectares no Estado
Condições necessárias
No estágio em que as plantas se encontram, elas precisam de frio, o que facilita o desenvolvimento raticular, proporcionando perfilhamento e estabelecimento da planta consistente no solo, o que vai repercutir na expressão do potencial de rendimento dessa lavoura.
Recomendações
O pesquisador da Embrapa, Eduardo Caierão, comenta ainda algumas recomendações em termos de praticas que devem ser adotadas durante o ciclo do trigo. Entre elas, a importância de dar atenção a cada cultivar, já que cada uma tem sua exigência de adubação nitrogenada. O produtor que ainda não realizou aplicação, deve se informar para saber qual a orientação para a cultivar que compreende sua lavoura, através de analise do solo.
*Monitoramento de doenças. O monitoramento deve ser constante, especialmente após períodos com chuva freqüente. Isto porque, se o monitoramento não for freqüente, ao retornar na lavoura, o aparecimento de doenças pode estar em estágio avançado.
*Após a fase de espigamento, o agricultor deve fazer o tratamento preventivo à giberella com aplicação de fungicida.